O tédio matou a educação, a forma com que suprimos o vazio que é nos proporcionados matou o foco. Vivemos na era digital, com pessoas digitais que vivem nos seus mundinhos em redes sociais, comentando em sites de conversas, curtindo fotos no Instagram, vendo vídeos curtos no You Tube por diversas horas, vendo pornografia e discutindo em sua página do Twitter. A vida externa foi jogada de lado, as relações sociais ficaram monótonas, ao invés de pensarem na sua identidade digital e real em coisas distintas, simplesmente as fundem ou simplesmente á deixa de lado.

O mundo pós-moderno trouxe bastantes avanços consigo, porém, respectivamente trouxe grandes dificuldades, a internet tornou-se uma ferramenta de emburrecimento prolongado, e entregamos essa “droga” aos nossos filhos e nem nos demos conta.

O vício virtual acaba afetando a psique do docente, o tornando ansioso, estressado e desmotivado por qualquer atividade prática, e como qualquer droga, ela possui efeitos colaterais se não for consumida constantemente.

A internet é um mundo que os pais não tem controle, a criança precisa ser monitorada, ter pouca privacidade. Com o surgimento das redes digitais isso se tornou raro, as crianças consomem conteúdos totalmente prejudiciais ao seu desenvolvimento, suas informações ficam expostas para segundas intenções, a criança fica vulnerável aos casos de abusos, tornou mais fácil o acesso a pornografia que, é uma das drogas mais consumidas no mundo atualmente, se tornando a mais prejudicial no desenvolvimento tanto físico como psicológico, deixando o usuário fraco e sem energia, desanimado e depressivo, sem nenhum resquício de concentração.

Na escola, é notável o grande desinteresse do aluno ao querer aprender uma matéria, sua mente está totalmente voltada para fora dela, de modo que não consiga se concentrar por longos períodos de tempo.

“Tire um momento do dia para fazer um papel antropológico: observem como as pessoas interagem com o celular. É assustador. A fisionomia é muito semelhante á dos viciados. O usuário de drogas pesadas é muito agitado, não consegue ter foco e os movimentos dos membros são quase sempre aleatórios”[Seymour Glass, Ensaio sobre os Deuses depressivos].

Esse tipo de pessoa não consegue largar o celular, são totalmente dependentes dele, a sociedade ajuda no processo. Usamos o celular como despertador; dialogamos com pessoas através dele; estudamos por ele; encontramos nossos pares amorosos por ele; se nos divertimos, sem dúvidas será por ele. O celular transformou-se em uma extensão nossa na realidade, quase um órgão externo, que separado do corpo, nos tornamos incapazes de viver nos tempos atuais. A realidade virtual está mais vívida que a realidade concreta.

Se não estão na escola, ficam ligados nas telas. O convívio com o mundo real se tornou precário, isso tornou as crianças mais ansiosas. Já não é mais comum aquelas caminhadas ao fim do dia, o banho de sol nascente. Os jovens se tornaram seres vazios por não viverem no mundo em que deveriam viver. Não desenvolvem amizades sólidas, relacionamentos verdadeiros e nem interagem em comunidade. É da escola para as telas e vice-versa, em um ciclo melancólico de vida, não é atoa que a depressão vem ganhando destaque nos últimos tempos.

“A droga do celular é mais que um simples vício prático. É como se estivéssemos sendo envolvidos integralmente pelo seu ópio, que de início era visto como algo inofensivo. Nossos hábitos, nossa cognição, nossos valores e crenças – tudo tem sido absorvido e tomado e, em certa medida, corrompido pela era digital, sem exceção.”[Seymour Glass- Ensaio sobre os Deuses depressivos].