Diversos autores irão falar, de maneira confusa, quem foi Padre Marcos, mas não é isso que precisa ser conhecido, não agora. Alguns autores como Homero Castelo Branco, Marcelo de Sousa Neto abordam de maneira diferente o Padre que, foi tão aclamado no Piauí e hoje, é totalmente esquecido e pouco privilegiado.
O descrevem como um grande educador, porém sua imagem é totalmente fragmentada por conta de todos os seus lados, como Padre, Educador e Político, como se tais partes não fossem o próprio Padre Marcos de Araújo Costa, Para descobrirmos o que foi que ele fez de tão importante devemos saber de onde ele veio e como ele chegou a ser no decorrer das pesquisas.
É crucial abordar a maneira em que a educação germinou no Brasil. Sabemos que a educação na era colonial era de total responsabilidade da Igreja Católica, foram os jesuítas que vieram para a colônia com a missão de civilizar os índios, até aqui podemos notar que a educação sempre foi responsabilidade religiosa, o próprio Marcos é uma prova cabal que a igreja era a portadora das ferramentas de ensino da época. Devemos então buscar de maneira precisa como o padre foi educado em concórdia com os meios que eram estabelecidos naquela época, em meados do século XVII e XVIII.
Deve-se informar que a educação, como método de ensino já existia no Piauí mesmo antes do próprio Marcos nascer, em 1723 já existia um povoado aos arredores, chamado de Aldeia do Cajueiro, feita por uma missão jesuítica. Seu Pai, Marcos Francisco de Araújo Costa já ensinava em sua casa, foi seu próprio pai quem o ensinou os estudos primários. Não podemos negar de forma alguma que o Padre foi uma peça forte para o desenvolvimento da educação, mas não podemos ocultar que a educação já habitava o solo nordestino bem antes do seu nascimento.
O padre nasceu nos arraiá dos paulistas, hoje chamado de Paulistana, no ano de 1778, sendo educado em casa por seu pai, foi estudar fora para concluir seus estudos, mudando-se para o Rio Grande, indo posteriormente para o seminário de Olinda, dando origem a seus primeiro título, Padre Marcos de Araújo Costa. Podemos nota diversas características interessantes aqui.
Primeiramente, podemos ver que o menino Marcos foi bem educado desde o berço, antigamente esse aspecto era sinônimo de poder, com uma educação precária, é notável que quem a possuía tinha um valor e poder maior que os demais. Visto que esses “demais’’ eram os povos locais sem nenhum meio e oportunidade de ensino, a educação por sua vez também não era bem vista como algo preciso para a formação de um indivíduo, já que o Piauí era movido economicamente pela pecuária, sendo uma profissão sem muitos requerimentos didáticos, pode notar tais pensamentos em nossa literatura brasileira, eis um trecho do livro de Erico Verissimo que irá demonstrar claramente como as pessoas da época se comportavam perante a educação.
-E onde é que eles metem o dinheiro do imposto? - perguntou um dos homens que escutavam Juvenal.
-Metem no rabo desses caramurus do inferno! - respondeu, azedo, um velhote de chiripá seboso.
O outros o miraram de soslaio sem dizer nada.
-Com tudo isso que pagamos - disse Chico Pinto - não temos nem escola pros nossos filhos.
-Qual escola, qual nada! Não preciso dessas coisas, não sei ler e isso nunca me fez falta. Também não tenho filhos para mandar pr’escola.
— Com tudo isso que pagamos — disse Chico Pinto — não temos nem escola pros nossos filhos. O velhote cuspinhou para o lado e retrucou: — Qual escola, qual nada! Não preciso dessas coisas. Não sei ler e nunca me fez falta.
Podemos notar também que a educação sempre esteve voltada para fins ultitários,principalmente para os eclesiastes. Como a grande influência dos Jesuítas e da Igreja Católica na Colônia, como os grandes seminários para a vocação eclesiástica. A escola sempre foi vista como algo da elite, e veio a ser serviço estatal logo depois das reformas pombalinas. Antes disso, a escola não tinha utilidade vista socialmente como algo vital para a vivência daquela época.
Foi no seminário onde o Padre Marcos obteve uma grande parte de seus ideais e onde obteve grandes mestres e ligações políticas com diversas personalidade da época, foi com isso que ele teve ligações com algumas revoltas da época.
Uma informação a ressaltar é que o seminário que o padre formou-se, era para a classe baixa, requerimento esse que foi honrado naquela época, quebrando os padrões elitistas coloniais.
O Seminário era para os pobres órfãos ou filhos de pais pobres, sendo o padre, filho de fazendeiro, fazendo parte da pequena elite provincial, uma contrariedade aos ideais do seminário de Olinda. Sendo o próprio padre motivo para a revisão dessa regra, que logo depois veio a também acolher a classe média, se as mesmas custeasse sua estadia, transformando o seminário em uma organização inclusiva, pois a misericórdia divina vêm a todos, sejam ricos ou pobres, tendo direitos iguais perante a Deus.
Padre Marcos formou-se em Olinda com grandes influências no professor Azeredo Coutinho e no Iluminismo Lusitano.